Trata-se de situações distintas:
Na abolitio criminis, a conduta é descriminalizada, vale dizer, suprimida do ordenamento jurídico. Isto aconteceu, por exemplo, com os crimes de rapto consensual, adultério e sedução.

Já na continuidade normativo-típica, o legislador não descrimininaliza a conduta, limitando-se a alterar a sua tipificação. Exemplos:

1.O art. 63, I, da Lei das Contravenções Penais tipificava a conduta de servir bebida alcoólica a menor de 18 anos. Em 2015, a Lei 13.106 revogou esse dispositivo e tipificou a mesma conduta no art. 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).

2. A Lei 12.015/2009 revogou o art. 214 do CP, que previa o atentado violento ao pudor. No entanto, as condutas que se inseriam na descrição típica do atentado não foram descriminalizadas, passando a ter enquadramento na nova redação do art. 213 do CP.

3. O art. 10 da Lei 9.437/97 tipificava a posse ilegal de arma de fogo, entre outras condutas relacionadas. Posteriormente, a Lei 10.826/2033 revogou aquela Lei, mantendo, contudo, a tipificação das condutas que nela estavam previstas.

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Norberto Avena